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Sobre tomates…

Era uma vez, em um município do Centro Oeste Mineiro…

Esse município recebeu uma secretária que chegou com brilho nos olhos, ideias pulsando e uma vontade genuína de fazer acontecer.

Havia nela algo raro e bonito, o desejo sincero de mostrar o potencial da cidade, de cuidar das pessoas e de transformar a realidade com ações concretas.

Quem chega assim, querendo abraçar o mundo, geralmente carrega no peito amor, compromisso e coragem.

É verdade que, ao longo do caminho, surgiram dificuldades. O peso da burocracia, os prazos, os registros que exigem método e constância nem sempre acompanharam a velocidade das ideias e dos sonhos. Houve atropelos, falhas, cobranças duras, algumas justas, outras talvez excessivas. Ainda assim, é importante reconhecer, errar tentando fazer é muito diferente de errar por omissão. E ela tentou. Tentou muito.

O episódio do banco de alimentos traduz isso. Diante do que seria descartado, ela escolheu compartilhar. O tomate que parecia não ter destino ganhou novas possibilidades. Em casa, fez olhos brilharem (eu vi); com cuidado e tempo, ele virou molho, foi congelado e hoje segue alimentando, rendendo, cumprindo um propósito que talvez não fosse visível naquele primeiro momento.

Assim também são muitas iniciativas, precisam de processo, de ajustes, de maturação. Nem tudo floresce na pressa, mesmo quando nasce de boas intenções.

A sua trajetória, ainda que marcada por percalços, deixa uma lição valiosa, vontade de mudar é essencial, mas precisa caminhar ao lado do planejamento, da escuta e do respeito ao tempo das coisas.

A vida pública é dura, expõe, cobra, desgasta. E nem sempre acolhe quem chega cheio de sonhos. Ainda assim, sua passagem não foi em vão. Ela mostrou que é possível pensar diferente, ousar, tentar. E isso, mesmo com tropeços, também é uma forma de contribuição.

Ficam os aprendizados, as reflexões e a certeza de que toda caminhada (mesmo quando interrompida) deixa marcas, provoca mudanças e ensina.

Às vezes, o maior legado não está no que se concluiu, mas no que se fez nascer como reflexão para o futuro.