Vou completar 44 anos no dia 20 de junho de 2025, e nunca me senti tão viva, tão cheia de certezas e dúvidas, tão pequena diante da grandeza da arte, e tão imensa na vontade de ser mais.
Dizem e sempre segui “Escreva Bêbado, edite sóbrio, e publique depois de revisar 10 vezes. Vou quebrar o padrão hoje! Amanhã eu corrijo (com ajuda de vocês).
Senti inveja. Duas vezes, imensas e boas esse ano nas obras que li e nas que sempre ouço.
A primeira foi ouvindo Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, (esse ano parece que doeu mais) uma música tão breve, mas tão carregada de poesia, de ruptura, de liberdade.
A segunda, lendo Há Sol na Solidão,(não estou ganhando nada par falar sobre) um livro curto, com apenas cento e poucas páginas, mas que ecoa na alma como se tivesse mil. (Como teria ter escrito, me identifico)
Ambas as obras me atravessaram com tamanha força que me vi diante da minha pequenez e da minha grandeza ao mesmo tempo. Pequena por não ter escrito aquilo. Grande por ter compreendido. Por ter sentido. Por ter sido tocada.
Há coisas que a gente ouve, vive, sofre todos os dias, mas, de repente, a mente se abre e entende; há um tempo certo para tudo. Só Deus sabe quando, como e por quê. Algumas respostas não vêm no grito, nem na pressa, mas no silêncio maduro do tempo, onde a dor ensina e a fé sustenta.
Essas obras me dizem algo que a minha profissão, minha vida, minha história sempre gritou.
Não existe escuridão que não possa ser iluminada!
Eu sou Assistente Social por amor (mas preciso do salário). Por ferida. Por cura. Entrei nessa profissão com um propósito. Não deixar que outras pessoas passem pelo que eu passei.
Eu carrego dores, sim. Mas carrego também uma esperança teimosa que alguns insistem em chamar de ingenuidade. Dizem que eu vivo numa bolha. Eu vivo, sim. Mas é uma bolha de luta, de resistência, de crença no ser humano.
A música me inspira a andar “contra o vento, sem lenço e sem documento”, e o livro me lembrou que mesmo na mais densa escuridão, ainda há um sol por mais que aja solidão.
Pode ser você. Pode ser EU!
Depois de alguns acontecimentos, que tentaram me fazer duvidar da minha luz, eu saí mais viva. Mais forte. Mais feliz. Mais vibrante. Com mais fogo nas veias.
E com mais coragem de seguir sendo quem sou, essa mulher que acredita, que escuta Caetano, que lê histórias que atravessam a alma, que ama com intensidade, que sente demais, e que nunca, jamais, deixará de lutar.
Que quer Paz!
Porque viver é, também, uma forma de resistência.