As bruxas, ao longo da história, simbolizaram mulheres fortes, empoderadas e insubordinadas, que se recusavam a se submeter aos padrões impostos. Eram conhecedoras da natureza, das plantas e dos mistérios que envolvem a vida e a morte. Detinham um saber profundo sobre seu corpo, seu ciclo, seu poder. Algumas preferiam a solidão da floresta, acompanhadas pelos animais e suas ervas, vivendo com liberdade e conexão com o mundo ao seu redor. Outras escolhiam companheiros, mas jamais se permitiam ser subjugadas como as demais mulheres da época.
Essas mulheres guardavam a sabedoria ancestral, sabiam curar, dançavam sob o luar, contavam histórias, tinham visões e intuições. Elas eram, em suma, mulheres plenas em sua essência. Contudo, por sua postura ameaçadora ao patriarcado, que não compreendia a profundidade de seus conhecimentos e temia sua independência, foram perseguidas, marginalizadas e, muitas vezes, cruelmente executadas durante a Idade Média, em um dos maiores feminicídios da história.
As bruxas, então, foram associadas a imagens de horror: feias, solitárias, velhas, loucas e, sobretudo, perigosas. Essa perseguição não apenas tirou vidas, mas afastou as mulheres de sua própria essência, forçando-as, por sobrevivência, a renegar sua natureza instintiva e selvagem, a esconderem-se e a tratarem seu próprio corpo como fonte de vergonha.
Carregamos, hoje, essa história em nossa pele e em nossa memória, com a chama da Inquisição ainda ardendo, mas agora como símbolo de resiliência. De suas cinzas, renascemos. A cada dia, sob cada lua, resgatamos a força, a sabedoria e o poder que nunca nos deixaram.
A bruxa que vive em mim saúda a bruxa que vive em ti. Que possamos, juntas, honrar essa ancestralidade e reconquistar, com coragem e respeito, o espaço que sempre nos pertenceu.
a Bruxa que vive em mim, saúda a Bruxa que vive em você!