Há um tipo de solidão que não se revela no vazio da casa ou no silêncio do telefone, mas na ausência de reciprocidade.
É a solidão de quem sempre convida, de quem enche a casa de vozes, risos e pratos cheios, mas percebe, ao longo do tempo, que se não tomar a iniciativa, o encontro não acontece, a companhia não se forma e o laço não se estreita.
Não é que faltem pessoas ao redor, há colegas simpáticos, prestadores de serviços gentis, conhecidos que trocam palavras agradáveis.
Mas há uma linha tênue entre estar cercada de gente e sentir-se verdadeiramente incluída.
Entre ser lembrada e ser desejada.
Chega um momento em que a alma se cansa de ser a única a puxar a roda. De planejar, organizar, esperar.
E, então, no meio a um domingo silencioso nasce uma pergunta incômoda: será que se eu não convidar, alguém sentirá minha falta?
E a resposta, quando chega, não é simples, porque ela dói.
Sim, talvez você tenha aprendido a viver só, a não depender de ninguém para preencher suas horas, sua mesa, sua existência.
E isso é força, mas também é luto. Um luto por aquilo que se deu tanto e nem sempre se recebeu de volta, um luto pela expectativa frustrada de encontrar nos outros o mesmo entusiasmo que se ofereceu por tanto tempo.
Fico me perguntando se isso é egoísmo ou amadurecimento; acho que é um passo legítimo.
Há quem rotule de “distante” aquela que apenas cansou de insistir.
Há quem chame de “frieza” a prudência de quem aprendeu a observar antes de ofertar de novo o coração.
No entanto, não é egoísmo esperar ser lembrada, não é vaidade desejar ser convidada.
Todos nós, em alguma medida, queremos que nossa presença faça falta.
Que sejamos mais que lembranças ocasionais!
Que sejamos desejo de companhia e não só uma opção conveniente!
A verdade é que sentir falta de ser convidada não é sinal de fraqueza, é sinal de humanidade e ninguém é tão autossuficiente que não precise vez ou outra, de um olhar que diga: “Você faz falta. Vem tomar um café.”
Aprender a se bastar é um exercício necessário.
Mas não deveria ser um castigo.
Que saibamos reconhecer o valor de quem sempre nos abriu a porta e que, de tempos em tempos, possamos ser nós a bater na porta de volta.